Sim, eu falo demais, eu sei….
Minha mama bem que teve a chance de mudar este ímpeto em mim, esse sangue de papagaio tagarela que corre pelas minhas veias.
Mas não funcionou.
Certa vez – no sítio – eu,
com 5anos,
camisola mijada,
pantufas nos pés,
arrastando um ursão de pelúcia,
chego na cozinha e puxo minha
mãe pela barra da calça.
Mómiiiiiiiii!!! Sonhei que tava amarrada num pau, em cima de um morro.
Mexia e mexia a boca, mas não saía palavra nenhuma!
Daí alguém dizia que tinha acabado a minha quota!
Quota, “cóti-móki”?!
Quota de quê??
De palavras………..
snif, snif…
É verdade, mómi, que a gente só pode falar 10.000 palavras a vida toda? snif, snif…
E que quando a gente gasta essas 10.000 mil, a gente “vira mudo”??
Os olhos verdes de minha mãe brilharam!
Eis a chance de calar – um tico que seja! – essa baixinha matraqueira!!
Mas, como mãe é algo mais, algo além da compreensão daqueles que nunca pariram, ela – como qualquer outra mãe faria – me abraçou apartando meu choro, apertou forte meu corpinho pequeno contra o peito acolhedor dela e disse a verdade (PARA AZAR DE TODOS QUE HJ ME AGUENTAM!!! hahahahahhhahah): não pafunça, isso não é verdade… foi só um sonho ruim…
Limpou meu xixi, trocou meus lençóis, fez um cafuné, e voltou pra terminar o café da manhã, enquanto eu já sonhava que era uma palestrante rodando o mundo…

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